segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Veto a Camargo na Fundação Palmares é racismo, puro e simples

Escrito por J. R. Guzzo

Brasil está vivendo no presente momento, à vista de todos e por ação direta do aparelho judicial, um dos mais repulsivos casos de racismo que jamais foram cometidos dentro da administração pública deste país. Não se trata, desgraçadamente, de uma mera manifestação de ódio, estupidez ou preconceito de ordem privada – dessas que acontecem, aqui e ali, entre pessoas, entidades ou grupos, e que são objeto das penas previstas na legislação.

Os autores do ato de racismo, neste caso, exercem funções essenciais no aparelho do próprio Estado brasileiro, e agem com o poder que o Estado lhes confere para praticar as suas atividades de discriminação racial contra um cidadão negro. Pior: quem faz isso são magistrados do Poder Judiciário – justamente os que têm a obrigação de combater o racismo com a aplicação da lei.

A vítima, transformada em vilão pelo vodu judiciário que se pratica abertamente neste país, é o jornalista Sergio Nascimento de Camargo, recentemente nomeado para a presidência da Fundação Palmares – um dos muitos recantos criados dentro da burocracia federal para incentivar alguma “causa justa”, como seria, no caso, a promoção dos valores culturais afro-brasileiros. Camargo, como se sabe, teve sua nomeação vetada por um juiz federal do Ceará – não pelo fato de não preencher algum requisito indispensável para o exercício do cargo, como ser maior de idade, alfabetizado e coisas assim, mas porque o juiz decidiu que um negro como ele não pode ir pensando o que quiser e achar que está tudo bem. Não está, segundo a justiça.

Camargo é um negro de direita, e para exercer a presidência da Fundação Palmares ele não poderia ser de direita; tem de ter, por causa da cor de sua pele, as ideias que os meritíssimos acham adequadas para pessoas de etnia negra . A decisão inicial acaba de ser confirmada por um desembargador federal, o caso segue o seu curso na justiça e a Fundação continua sem presidente.

Fonte: https://www.metropoles.com/colunas-blogs/jr-guzzo/veto-a-camargo-na-fundacao-palmares-e-racismo-puro-e-simples

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Funcionalismo público é o inimigo número 1 do Brasil

Por J.R. Guzzo 

Grande parte da atividade realizada hoje pelo poder público brasileiro, talvez a maior parte, consiste na tarefa, jamais terminada, de atender essa gente – nomear, pagar, dar aumentos, apaziguar, fazer com que se reproduzam. Sua modalidade mais degenerada, provavelmente, são os cargos chamados “DAS”, uma manada que tem entre 20 mil e 25 mil pessoas só no governo federal. (Ninguém, nem com os programas de computador mais irados, sabe ao certo quantos são.)

Consomem quantidades desconhecidas de dinheiro do Erário em salários e benefícios – acima de R$ 1 bilhão por ano, certamente, mas podem estar custando muito mais que isso ao contribuinte. Não têm, ao contrário do que se exige da imensa maioria dos servidores públicos, de prestar concurso ou demonstrar qualquer competência para ocuparem os seus cargos. Eles são de “nomeação livre” do Poder Executivo, que os utiliza como moeda de troca para obter votos e apoio no Congresso. São apadrinhados de senadores e deputados que chantageiam o governo 365 dias por ano com o mesmo problema: ou vocês nomeiam quem eu estou pedindo, ou então viro oposição na hora de votar seja lá o que for.

Isso é só um pedaço da tragédia. Nos níveis estaduais e municipais, a casta dos ocupantes de cargos de “livre provimento” deve andar por volta de 800 mil apaniguados. A despesa com eles, como ocorre com os demais números nessa salada, é incerta – mas tem sido calculada em alguma coisa entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões por ano.

Não se pode esquecer, enfim, os premiados com “funções especiais”, presentes também na área federal, e todos os que se beneficiam da usina de produzir trapaças no serviço público que funciona em tempo integral do Oiapoque ao Chuí. Melhor parar por aqui. Há ainda muita coisa que poderia ser dita, mas será mais do mesmo.

O fato é que está aí, nessa multidão que ocupa o verdadeiro centro nervoso do “debate político” no país, o mais intratável inimigo de toda a sociedade brasileira. Em suma: quer saber por que falta tanta coisa, em termos das necessidades mais elementares, para a população? Porque riquezas que são devidas a todos vão direto para a turma do “livre provimento” e dos políticos que a controlam.

Estão discutindo furiosamente, neste exato momento, a “liberação” de mais nomeações. Depois vão lhe dizer, nas mesas redondas de especialistas, que o Brasil está diante de graves problemas de “articulação política”.