quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Funcionalismo público é o inimigo número 1 do Brasil

Por J.R. Guzzo 

Grande parte da atividade realizada hoje pelo poder público brasileiro, talvez a maior parte, consiste na tarefa, jamais terminada, de atender essa gente – nomear, pagar, dar aumentos, apaziguar, fazer com que se reproduzam. Sua modalidade mais degenerada, provavelmente, são os cargos chamados “DAS”, uma manada que tem entre 20 mil e 25 mil pessoas só no governo federal. (Ninguém, nem com os programas de computador mais irados, sabe ao certo quantos são.)

Consomem quantidades desconhecidas de dinheiro do Erário em salários e benefícios – acima de R$ 1 bilhão por ano, certamente, mas podem estar custando muito mais que isso ao contribuinte. Não têm, ao contrário do que se exige da imensa maioria dos servidores públicos, de prestar concurso ou demonstrar qualquer competência para ocuparem os seus cargos. Eles são de “nomeação livre” do Poder Executivo, que os utiliza como moeda de troca para obter votos e apoio no Congresso. São apadrinhados de senadores e deputados que chantageiam o governo 365 dias por ano com o mesmo problema: ou vocês nomeiam quem eu estou pedindo, ou então viro oposição na hora de votar seja lá o que for.

Isso é só um pedaço da tragédia. Nos níveis estaduais e municipais, a casta dos ocupantes de cargos de “livre provimento” deve andar por volta de 800 mil apaniguados. A despesa com eles, como ocorre com os demais números nessa salada, é incerta – mas tem sido calculada em alguma coisa entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões por ano.

Não se pode esquecer, enfim, os premiados com “funções especiais”, presentes também na área federal, e todos os que se beneficiam da usina de produzir trapaças no serviço público que funciona em tempo integral do Oiapoque ao Chuí. Melhor parar por aqui. Há ainda muita coisa que poderia ser dita, mas será mais do mesmo.

O fato é que está aí, nessa multidão que ocupa o verdadeiro centro nervoso do “debate político” no país, o mais intratável inimigo de toda a sociedade brasileira. Em suma: quer saber por que falta tanta coisa, em termos das necessidades mais elementares, para a população? Porque riquezas que são devidas a todos vão direto para a turma do “livre provimento” e dos políticos que a controlam.

Estão discutindo furiosamente, neste exato momento, a “liberação” de mais nomeações. Depois vão lhe dizer, nas mesas redondas de especialistas, que o Brasil está diante de graves problemas de “articulação política”.

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