Escrito por J. R. Guzzo
Brasil está vivendo no presente momento, à vista de todos e por ação direta do aparelho judicial, um dos mais repulsivos casos de racismo que jamais foram cometidos dentro da administração pública deste país. Não se trata, desgraçadamente, de uma mera manifestação de ódio, estupidez ou preconceito de ordem privada – dessas que acontecem, aqui e ali, entre pessoas, entidades ou grupos, e que são objeto das penas previstas na legislação.
Os autores do ato de racismo, neste caso, exercem funções essenciais no aparelho do próprio Estado brasileiro, e agem com o poder que o Estado lhes confere para praticar as suas atividades de discriminação racial contra um cidadão negro. Pior: quem faz isso são magistrados do Poder Judiciário – justamente os que têm a obrigação de combater o racismo com a aplicação da lei.
A vítima, transformada em vilão pelo vodu judiciário que se pratica abertamente neste país, é o jornalista Sergio Nascimento de Camargo, recentemente nomeado para a presidência da Fundação Palmares – um dos muitos recantos criados dentro da burocracia federal para incentivar alguma “causa justa”, como seria, no caso, a promoção dos valores culturais afro-brasileiros. Camargo, como se sabe, teve sua nomeação vetada por um juiz federal do Ceará – não pelo fato de não preencher algum requisito indispensável para o exercício do cargo, como ser maior de idade, alfabetizado e coisas assim, mas porque o juiz decidiu que um negro como ele não pode ir pensando o que quiser e achar que está tudo bem. Não está, segundo a justiça.
Camargo é um negro de direita, e para exercer a presidência da Fundação Palmares ele não poderia ser de direita; tem de ter, por causa da cor de sua pele, as ideias que os meritíssimos acham adequadas para pessoas de etnia negra . A decisão inicial acaba de ser confirmada por um desembargador federal, o caso segue o seu curso na justiça e a Fundação continua sem presidente.
Fonte: https://www.metropoles.com/colunas-blogs/jr-guzzo/veto-a-camargo-na-fundacao-palmares-e-racismo-puro-e-simples
Nenhum comentário:
Postar um comentário